Apoio ao Doador: o que acontece depois do “Sim” - Vanessa Dinis - Operação Nariz Vermelho

Apoio ao Doador: o que acontece depois do “Sim”

Do outro lado do telefone está alguém que, algumas horas antes, decidiu fazer parte da missão da Operação Nariz Vermelho. Talvez já conhecesse o nosso trabalho, ou talvez tenha acabado de o descobrir. Uma experiência pessoal pode ter despertado a vontade de ajudar… ou, simplesmente, pode ter sentido que queria fazer algo positivo por quem está a passar por um momento difícil.

A inscrição aconteceu na rua, com um dos nossos Recrutadores de Sorrisos. Depois, é a minha vez de dizer, deste lado do telefone: “Bem-vindo(a) à nossa casa.”

Faço parte da equipa de Apoio ao Doador e uma das minhas funções é contactar cada novo Doador de Sorrisos no dia seguinte à sua inscrição. À primeira vista, pode parecer apenas uma chamada, mas é muito mais do que isso.

É o início de uma relação.

 O primeiro contacto com quem nos abraça

Começo por desejar as boas-vindas e agradecer por terem abraçado a nossa missão.

É frequente os doadores responderem que são eles que têm de agradecer pelo trabalho que fazemos, mas faço questão de dizer que esse trabalho só é possível porque existem pessoas que acreditam na nossa missão e que escolhem caminhar connosco.

Depois, confirmamos os dados mais importantes da inscrição: começamos pelo e-mail, para garantirmos que conseguimos enviar a nossa comunicação, como o e-mail de boas-vindas, a newsletter mensal e o relatório anual. Confirmamos a morada, para enviarmos um miminho de boas-vindas por correio, e o número de contribuinte, que é necessário para a emissão dos recibos e para que possam usufruir do benefício fiscal. Por fim, confirmamos o valor do donativo e o melhor período para o solicitar, para certificarmos que corresponde ao escolhido e para que o débito direto aconteça numa altura mais conveniente.

Cada confirmação tem uma razão: garantir que fique tudo certo e que o doador se sinta informado, confortável e acompanhado desde o primeiro momento. No final da chamada, convido a guardarem o meu contacto, para que saibam que têm sempre alguém do outro lado a quem podem recorrer.

Porque o contacto com um doador não termina quando a inscrição fica concluída. Pelo contrário, é nesse momento que queremos começar a construir uma relação duradoura, baseada na transparência, na proximidade, na confiança e no cuidado.

 Do outro lado da chamada

Ao longo destas chamadas, muitos doadores já transmitiram a tranquilidade que sentiram ao receber o nosso contacto. Depois de um primeiro encontro na rua, é natural que possam surgir dúvidas, ou que o doador queira simplesmente confirmar que ficou tudo bem com a sua inscrição. Quando recebe a nossa chamada e percebe que existe uma equipa disponível para o ajudar e manter o contacto, sente que fez a escolha certa.

Alguns fazem questão de agradecer. Outros ficam surpreendidos com a atenção que temos para com eles. Há também quem valorize a possibilidade de conhecer melhor e acompanhar o nosso trabalho através da newsletter, do relatório e de outras comunicações que mantemos.

Este feedback mostra, através da experiência dos próprios doadores, que este contacto é sentido e valorizado.

Cada contribuição conta

Muitos doadores comentam que gostariam de poder contribuir com mais, mas que, neste momento, não lhes é possível. Aquilo que respondo sempre é que, independentemente do valor, cada contribuição conta e é valiosa para nós.

Não é o montante que define a sua importância, é a decisão de ajudar e a vontade de fazer parte. Os donativos regulares têm um papel muito particular. Permitem-nos contar com um apoio mais previsível, planear o nosso trabalho com mais segurança e garantir a continuidade do programa de visitas dos Doutores Palhaços. Esse apoio contínuo ajuda-nos também a gerir melhor os recursos e a otimizar o impacto de cada euro recebido. É assim que cada contribuição individual se torna fundamental para manter a nossa missão em movimento.

Doar para a Operação Nariz Vermelho é contribuir para que a criança hospitalizada possa viver um momento de leveza num dia difícil.

Histórias que chegam através destas chamadas

Uma das partes mais bonitas é ouvir os doadores partilharem a admiração que têm pelo nosso trabalho ou experiências que viveram connosco. É nesses momentos que, muitas vezes, recebo testemunhos que me emocionam.

Existe quem acompanhe o nosso trabalho durante muito tempo antes de ter oportunidade de se juntar a esta missão. Uma doadora contou-me que, quando era mais nova, teve a oportunidade de presenciar a intervenção dos Doutores Palhaços. Desde então, ficou com uma admiração especial pelo nosso trabalho e considera-o verdadeiramente importante. Mais recentemente, quando esteve no Curry Cabral, o namorado comentou algo sobre palhaços e, de imediato, a doadora perguntou se seriam os Doutores Palhaços da Operação Nariz Vermelho. Sendo a nossa causa, fez questão de ajudar e decidiu tornar-se Doadora de Sorrisos. Mas o donativo regular nem sequer foi a primeira forma de apoiar a nossa missão; já anteriormente, no seu local de trabalho, fazia questão de ajudar a vender os nossos produtos.

Outra das doadoras que contactei estava internada com o seu bebé e já tinha tido um encontro com os Doutores Palhaços. Adorou a intervenção, esperava voltar a vê-los e lamentava até não estarmos presentes nos Açores. Quando encontrou os nossos Recrutadores de Sorrisos na rua, foi a própria que se aproximou para saber como podia ajudar.

Os Doutores Palhaços trabalham junto das crianças hospitalizadas, mas o impacto do seu trabalho estende-se também a quem está à sua volta. Chega aos pais, às famílias, aos profissionais de saúde.

Uma doadora partilhou comigo que, no dia em que o filho foi operado, houve uma altura em que não pôde acompanhá-lo. Foram os Doutores Palhaços que estiveram com ele até ao momento da anestesia. Para o menino, aquela situação tornou-se mais leve e descontraída. Para a mãe, saber que havia alguém com o seu filho, a distraí-lo naquele momento, tornou tudo um pouco mais reconfortante.

A nossa missão é feita de encontros, momentos que ficam e marcas que permanecem.

O que fica depois de cada chamada

E eu também levo estas histórias comigo.

Existe uma parte do meu trabalho que não aparece nos dados confirmados, nos contactos registados ou nas informações que atualizamos. É aquilo que estas histórias me fazem sentir. Ter a oportunidade de ouvir estas memórias e perceber o impacto que a Operação Nariz Vermelho tem na vida das crianças, das famílias e de quem trabalha nos hospitais toca-me profundamente, e faz-me sentir um enorme orgulho e uma enorme gratidão por fazer parte desta equipa.

Porque, quando faço uma chamada de boas-vindas, estou a acolher um novo Doador de Sorrisos, mas, tantas outras vezes, sou eu que acabo por ser acolhida pelas histórias que me são confiadas.

Por isso, a cada Doador de Sorrisos que recebe uma chamada minha, deixo um MUITO OBRIGADA.

Obrigada por acreditar.

Obrigada por confiar.

Obrigada por estar connosco.

Vanessa Dinis – Apoio ao Doador