Mecenato ONV: Investir na humanização dos cuidados pediátricos em Portugal - Clara Cotrim - Operação Nariz Vermelho

Mecenato ONV: investir na humanização dos cuidados pediátricos em Portugal – Clara Cotrim

Nestas mais de duas décadas da Operação Nariz Vermelho, aprendemos várias lições, mas talvez a mais importante seja esta: a alegria não se impõe; constrói-se com regularidade. Continuidade. Compromisso. Quando iniciamos um programa de visitas num hospital, comprometemo-nos a dizer “presente”, semana após semana, sem prazo de validade à vista. É dessa presença previsível e contínua que nasce a confiança entre a equipa hospitalar e a Operação Nariz Vermelho, a base para de facto fazermos a diferença junto das crianças hospitalizadas, das suas famílias e dos profissionais de saúde.

Em 2025, os Doutores Palhaços realizaram 67.359 encontros com crianças hospitalizadas – mais 6% que em 2024 – em 176 serviços pediátricos de 22 hospitais por todo o país. Se juntarmos os encontros com pais, cuidadores, profissionais de saúde e outros utentes que cruzamos pelo caminho, o número sobe para 284.374 encontros num único ano.

Porque falamos em encontros? Porque, a cada visita, os Doutores Palhaços podem encontrar crianças que veem pela primeira vez, ou cruzar-se com crianças que já visitaram anteriormente, no caso de tratamentos prolongados. Contudo, o encontro em si é único, daí contabilizarmos um a um.

O financiamento que recebemos merece ser olhado da mesma forma. Cada euro que uma empresa nos confia não é apenas 1€. É tão valioso como cada encontro que ele ajuda a tornar possível. Não existe, por isso, um “pequeno donativo”, tal como não existe uma visita “menos importante” por ser a terceira naquele quarto, com aquela criança. É esta ideia que gostaria de partilhar, a propósito do nosso programa de mecenato empresarial: Não importa a dimensão do apoio; maior ou menor, todos os donativo são essenciais para a sustentabilidade da nossa causa. Todos nos ajudam a garantir regularidade. Continuidade. Compromisso.

 É por isso que o nosso programa de mecenato privilegia parcerias de longo prazo, idealmente pensadas para um horizonte de três anos. É por isso que um donativo mensal de 50 euros de uma pequena ou média empresa (PME), mantido ao longo do tempo, dá-nos exatamente aquilo de que mais precisamos para planear com confiança: previsibilidade. E a previsibilidade é o que nos permite prometer a uma criança, a uma família, a uma equipa hospitalar, que estaremos lá na próxima semana. E na seguinte. E na seguinte.

Um programa com vários patamares, um único propósito

Sabemos que cada empresa tem uma realidade financeira diferente, por isso desenhámos um programa com vários patamares de apoio, todos igualmente importantes:

Começamos pelo Herói do Hospital: uma empresa ou organização investe 50 mil euros para financiar duas visitas semanais de uma dupla de Doutores Palhaços a um hospital, durante um ano. É um compromisso que transforma o ambiente hospitalar e, ao mesmo tempo, contribui para a formação das nossas equipas e para os estudos que aprofundam o impacto do nosso trabalho junto das crianças.

Do outro lado, temos os Parceiros Sorrisos: através de um donativo mensal de 50 a 125 euros, uma PME pode juntar-se de forma regular e flexível à sustentabilidade da nossa causa.

Entre estes dois patamares existem outras formas de apoio, adaptadas a diferentes capacidades e ambições de investimento social.

As dificuldades que também são nossas

Gostaria de partilhar um desafio que sentimos: cada vez mais, as decisões de investimento social do setor privado passam por processos complexos (candidaturas, prémios, comités de avaliação) que, embora legítimos, criam distância entre o investidor e a missão de uma organização social.

Criam distância e, muitas vezes, não permitem financiar o foco do trabalho das organizações: as suas missões e, por conseguinte, o que gera de facto impacto social.

Percebemos perfeitamente porquê. Todos os anos, empresas e fundações recebem pedidos de milhares de instituições igualmente meritórias e precisam de critérios que sejam justos e defensáveis. É uma reflexão que faço há muitos anos e que atravessa hoje o setor social e cultural em Portugal: o próprio Governo reconheceu recentemente que os regimes de apoio e mecenato em vigor têm sido pouco mobilizadores, demasiado complexos e nem sempre claros nos seus critérios e procedimentos, um sinal de que este não é um problema nosso, é um problema estrutural, e por isso vale a pena falar, abertamente.

Também por isso, muitas empresas tendem a priorizar ações que contribuem para a reputação das suas marcas e demonstrem junto dos seus públicos a sua responsabilidade social. Respondemos a este desafio com um sorriso e criatividade. Desenvolvemos, além do mecenato tradicional, formatos pensados para gerar valor nos dois sentidos: campanhas cruzadas associadas a produtos ou serviços da empresa, campanhas de merchandising com os nossos ícones – os Jogos desenvolvidos pela nossa equipa, ou o nosso icónico nariz vermelho. Procuramos relações onde o impacto social e o valor para a empresa caminham lado a lado.

Termino com um convite: meta o nariz 🔴 nesta causa

Se a sua empresa acredita no poder da arte para transformar os cuidados de saúde pediátricos e quer abraçar o compromisso de contribuir para a potência do encontro entre os Doutores Palhaços e as crianças hospitalizadas, envie email para [email protected]. Teremos todo o gosto em recebê-lo nesta Ca(u)sa de Palhaços. Pode também o nosso programa de mecenato nesta página: https://campanhas.narizvermelho.pt/major-donors/

 Cada euro, como cada encontro, importa e faz a diferença. E é por estes encontros que vos convidamos a meter o nariz onde são chamados.

 Clara Cotrim, Direção de Comunicação e Angariação de Fundos Corporativos