A IA ao serviço da Humanização - Clara Cotrim - Operação Nariz Vermelho

A IA ao serviço da Humanização – Clara Cotrim

Dia 4 de março, recebemos na nossa sede Ricardo Parreira, que conduziu o workshop “IA para o Comum dos Mortais”  

Na Operação Nariz Vermelho, onde o encontro e a relação estão no centro da nossa missão, a Inteligência Artificial tem sido observada com um misto de curiosidade e desconfiança, tal como acontece em muitos outros setores. Afinal, quando falamos de IA, falamos sempre de pessoas. E quanto melhor compreendermos esta tecnologia, mais preparados estaremos para garantir que ela respeita, e reforça, os valores que nos orientam.  

Foi com este propósito que convidámos Ricardo Parreira, fundador da PHC Software, especialista em tecnologia e apaixonado pela inovação, para dinamizar o workshop “IA para o Comum dos Mortais”. A iniciativa nasceu de um pedido transversal da equipa, especialmente da área artística, que queria aprofundar um tema incontornável da atualidade. O resultado foi uma sessão prática, acessível e, acima de tudo, surpreendentemente humanizadora.  

Porque é fundamental conhecer a IA no setor social  

As organizações sociais atuam em contextos especialmente sensíveis, como o hospitalar, onde a confiança, a ética e a privacidade são inegociáveis. Por isso, torna-se cada vez mais essencial compreender o que é, e o que não é, Inteligência Artificial. Não apenas para proteger estes valores, mas também para reconhecer o seu potencial como ferramenta de apoio às equipas, libertando-as de tarefas que consomem tempo e energia.  

Entre estas tarefas contam-se a análise de dados, a comunicação, a preparação de conteúdos, a organização e a automatização de processos repetitivos. Estudos recentes apresentados no workshop mostram ganhos expressivos de produtividade e qualidade, permitindo dedicar mais tempo ao que é verdadeiramente insubstituível: o encontro humano. 

  • +37% de rapidez e +20% de qualidade em tarefas de escrita e análise (MIT Economics Research, 2023) 
  • +25% de rapidez e +40% de qualidade em tarefas profissionais diversas (Harvard Business School & BCG, 2023)  

No caso dos Doutores Palhaços, cuja intervenção vai muito além da presença no hospital, o contacto com novas ferramentas permitiu identificar soluções para tornar, por exemplo, a produção de relatórios mais ágil, o que poderá vir a libertar tempo para treino, investigação e aprofundamento artístico em contexto hospitalar.  

A formação trouxe clareza a um tema frequentemente envolto em ruído. Entre os principais pontos abordados destacam-se:  

  1. O que é (e o que não é) Inteligência Artificial

Clarificou-se o impacto real da IA generativa no trabalho diário, bem como os seus limites e riscos — incluindo as chamadas “alucinações” e a necessidade inegociável de manter o pensamento crítico.  

  1. Como pedir melhor às ferramentas (Prompt Engineering)

Foi apresentada uma framework simples e eficaz para estruturar pedidos, aumentando a consistência dos resultados e reduzindo a frustração no processo.  

  1. Ferramentas avançadas e práticas concretas

A equipa experimentou funcionalidades como Projetos, GPTs personalizados, análise avançada de dados, Deep Research, Canvas, Voz, entre outras — todas com potencial para apoiar o trabalho técnico, criativo e operacional.  

  1. Aplicação ao contexto específico da ONV

Debateram-se casos reais, refletiu-se sobre riscos e oportunidades, avaliou-se o retorno potencial e identificaram-se áreas onde a IA pode ser implementada de forma responsável, ética e alinhada com a missão.  

Para nós, a IA será sempre uma ferramenta, não um substituto. Uma aliada capaz de aumentar eficiência, melhorar comunicação e apoiar decisões — mas que nunca substituirá a presença, a criatividade e o cuidado que os Doutores Palhaços levam aos hospitais. 

E quanto mais a conhecemos, mais preparados estamos para garantir que a sua utilização protege a humanização, a ética e a autenticidade do nosso trabalho.  

Um agradecimento especial 

Agradecemos ao Ricardo Parreira pela generosidade, clareza e capacidade de tornar o complexo acessível.
E agradecemos também à nossa equipa, que permanece curiosa, crítica e aberta à inovação, sem nunca perder aquilo que nos define: a alegria, o rigor e o compromisso com o encontro.